A infância é assustadora. Caboclinhos então…

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Nasci numa casa de porta e janela na Rua Gervásio Pires, no Bairro da Boa vista, em Recife.

A casa era estreita e comprida. Tinha um quintal nos fundos, onde eu adorava brincar e tomar banho de bica quando chovia. A água era forte e morna. Com o calor que faz nos verões aqui no Nordeste, não podia ser diferente.

Eu adorava subir no telhado e comer mangas que pendiam da mangueira da casa vizinha. Meu pai brigava, pois eu sempre quebrava algumas telhas no processo.

Morei nessa casa até uns 10 anos de idade. Nesse tempo, uma das principais atrações do carnaval do Recife era o Corso, que acontecia bem ali na esquina, na Avenida Conde da Boa Vista. O trânsito ficava parado, o que propiciava a interação entre os carros, quase todos sem capota, com muita gente jogando lança perfume, pitombas e uma mistura de água com farinha de trigo, que caracterizava o famoso mela-mela.

Eu adorava o Corso. Meu pai tinha um Jeep 1951, que ele amava e que usava para ir às caçadas nos fins de semana. Nos carnavais daqueles anos, esse era o carro para se ter.

Não sei o que passava na cabeça dos pais para levarem seus filhos àquelas festas com uma quantidade sem fim de Palhaços, Pierrots, Alas-Ursas (Ala-Ursa quer dinheiro, quem não dá é pirangueiro), Mascarados e….Caboclinhos.

Ah, os caboclinhos. Que medo! Eu morria de medo daquele grupo de gente fantasiado de índio. Homens e mulheres com rostos pintados de vermelho, vestidos de tangas, cocares, penas nos braços e nas pernas, colares de contas coloridas. Como uma tribo de guerreiros que vai para a guerra, uns tocavam tambores e flautas e outros batiam na boca fazendo sons indescritíveis e pavorosos para mim, que, com uns seis anos de idade, corria para dentro de casa e (quase) chorava.

Os piores e mais amedrontadores eram os arcos e flechas que portavam. Quando os Caboclinhos atiravam, as flechas não saíam, apenas batiam nos arcos, fazendo um ruído de madeira na madeira. Muitos arcos e muitas flechas. Muitos caboclinhos. Tac, tac, tac, tac, batiam as flechas. U, hu, hu, hu, hu, gritavam, batendo os pés no chão.

Passavam rápido deixando-me para trás com medo, muito medo, de voltarem. E sempre voltavam.

Pesquisando para este post, fiquei sabendo que há denominação para quase todos os tipos de fobias. Descobri umas muito curiosas, como por exemplo: a Luposlipafobia, que é o medo de ser perseguido por um lobo-cinzento ao redor da mesa da cozinha, enquanto se está vestindo meias sobre um chão recém-encerado e a Hipopotomonstrosesquipedaliofobia, o medo de palavras grandes. Quem tem esta última não pode nem pronunciar esse nome!

Existe também a Coulrofobia, o medo de palhaço! O Stephen King deve amar essa.

Com deveria se chamar o medo de caboclinhos? Não sei se foi descrito. Nem sei se há outras pessoas com medo deles, como eu.

Pensando bem, a infância é mesmo assustadora.

As crianças convivem desde cedo com medos. Os pais adoram assustá-las. Não entendo como podem cantar canções de ninar do tipo: Boi, Boi, Boi, Boi da cara preta. Pega essa criança que tem medo de careta. Ou então: Nana neném, que a Cuca vem pegar…eu achava que a Cuca era aquele dragão simpático do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Descobri, muitos anos mais tarde que a Cuca é uma bruxa, que sequestra crianças.

Como se pode dormir assim?

Na minha infância, as crianças eram também aterrorizadas com tal do Papa-figo. Um bicho-papão que vinha comer o fígado e tomar o sangue das crianças desobedientes. Um horror!

Na estória do Chapeuzinho Vermelho, sucesso de vendas de disquinhos da época, tinha um lobo-mau que pega as criancinhas para fazer mingau!

Havia também o Curupira. Um ser fantástico. Uma pessoa pequena, de cabelos vermelhos, com os pés virados para trás, que habitava as florestas do Brasil e iludia os visitantes e caçadores dessas matas, fazendo-os se perder por lá, para nunca mais serem encontrados.

Na minha época, os pais adoravam coagir as crianças dizendo: faça sua tarefa de casa senão eu te levo pro médico (ou pro dentista) para tomar uma injeção!

E assim fui criado. Com medos e mais medos.

Não sei como sobrevivi.

A Muriçoca, çoca, çoca…

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Existe barulho pior que o de uma muriçoca no ouvido da gente, na hora de dormir?

Basta uma para causar um problema grande. Uma apenas!

Parece que a “desinfeliz” vem direto pro seu ouvido. Dá cada rasante…

Ela é invisível e ninja. Escapa de nossas mãos!

Nós só conseguimos matá-la quando já chupou muito sangue e está pesada e mais lenta. Aí, mela tudo. Mela a mão, a parede e o lençol. Como ficamos desconfiados que o sangue não é só nosso, temos de levantar e ir lavar as mãos.

Quando abrimos a porta do banheiro, entra outra muriçoca no quarto. A substituta da primeira. Esta vem ainda mais furiosa e barulhenta. Motor 2.0. Fresquinha e leve. Pronta para uns rasantes nas nossas orelhas. Não muito perto, a princípio. Depois, ficam mais afoitas e chegam a pousar. Só pra nos ver dando tapas em nós mesmos.

Ardilosas, vivem no banheiro, embaixo da pia, no escurinho.

Reproduzem-se por ali e mantêm creches muriçocais por perto.

Enviam uma kamikaze vampira de cada vez para atazanar o ser vivente que tenta dormir. Se forem muitas, há o risco de morrerem rapidamente, pois ainda não desenvolveram a capacidade de voar em formação. Muriçocas transgênicas talvez consigam isso, um dia. Aí, ninguém mais dormirá!

Enquanto isso, uma ninja solitária pode incomodar muito mais.

Acho que não é só o sangue que interessa para elas. A emoção de se esquivar de mãos, chinelos e jornais dobrados é seu grande barato. Muriçocas também curtem essa adrenalina de ver o ser vivente bravo. É um plus a mais para elas.

Tempos atrás, passei um fim de semana na casa de praia de um amigo. Na hora de dormir, a surpresa: o colchão era inflável. Daqueles azuis, cheios de gomos. Não havia bomba. Para encher, o jeito era soprar mesmo.

Depois de uns dez minutos e tonto de tanto soprar, consegui deixar o colchão mais ou menos na condição de deitar.

Forrado com um lençol limpinho, ficou até jeitoso. Deitei nele, cansado depois de um dia de sol na praia. Lá pelas tantas, uma muriçoca começou a zunir no meu ouvido. Na verdade, acho que eram duas. Uma sibilava e a outra picava o meu pé, que coçava à beça.

Depois de um tempo, adormeci e não mais escutei o zunir. Aliás, não escutei mais nada. De repente, senti uma pressão nos meus dois ouvidos, que não entendi. O colchão estava murchando! Minha cabeça afundou e tinha colchão tapando os dois ouvidos.

O pé ainda coçava.

Rolei para o chão e voltei a soprar para o colchão voltar a sua forma utilizável.

Uma muriçoca zunia desesperadamente. Com uma das mãos eu mão abanava a orelha e com a outra segurava o pito do colchão. Imaginem a coordenação motora necessária!

A outra muriçoca ninja picava o meu pé. Sempre o mesmo pé. Elas devem ter um GPS muito bom. Moscas também têm, pois sempre pousam no mesmo lugar, repetidamente.

Passei a noite entre o espantar e tentar matar essas muriçocas e o soprar para encher o tal colchão. Péssimo.

Acho que depois que as muriçocas receberam o nome de Aedes egipti, elas ficaram mais invocadas e convencidas.

O nome é mesmo pomposo. Se fosse eu, zuniria ainda mais alto.

Muito barulho para tudo.

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Sábado de sol.

Dia lindo. Resolvo ir à praia. Maré baixa, bem sequinha. Delícia ficar nas piscinas naturais da praia de Boa Viagem, já que tubarão nenhum se aventura em águas tão rasas.

Já ao parar o carro, começa o aperreio. Tem um cara me encarando na calçada, esperando eu sair do carro. Será que vai me assaltar? Penso. No mesmo instante em que abro a porta, ele me diz, segurando a porta para eu sair:

-Cadeirinha na praia, doutô? Paga só a consumação.

O cara me segue até a praia e garante que eu me sente numa de suas cadeiras.

Mal eu sento, começa o assédio e o barulho:

-Camarão, aí doutor? Uma provinha?

-Não, obrigado

-Amendoim torrado e cozinhado! Grita um.

-Cachorro quenteeee! Grita outro.

Someone told me long ago…, Sentimental eu sou, eu sou demais…,  But I still remember she made cry…, Meia noite no meu quarto, ela vai subir…”  Uma coletânea de flashbacks toca a todo volume num carrinho que vende esses CD’s. Muito alto mesmo.

-Naiara Júlia! Coidado com seu irmão!!! Rrenha pra cá, danada! Rrenha tomar água! Grita muito alto e várias vezes a minha vizinha. Nada de Naiara Júlia vir. A mãe resolve então ir buscá-la e a traz levantando-a por um dos braços. Naiara Júlia chora muito.

-Olha a Saladdáaaaa, Saladaaaa de frutaaaaaaáá! Tem de 4, de 5 e de 6 reáaaais!!! Grita um bigodudo.

-Camarão aí, freguês? Novinho. Quer provar?

-Não. Sou alérgico. Obrigado.

-Sacolé. Olha o sacolé. Cinquenta centavos!! Vai de sacolé aí, amigo?

-Não, obrigado.

Na avenida, passa um carro com um som num volume que deve dar pra ouvir na Lua, tocando música sertaneja.

Lá vai Naiara Júlia, de novo, correndo para a água. Desta vez com um picolé vermelho derretendo na mão.

O cara da cadeira desaparece. Fico em pé procurando-o  e colaboro com o ruído geral assoviando para ele trazer um coco gelado.

O carrinho dos CD’s está voltando.

Chega uma cigana e pede para ler a minha mão. Digo que não quero. Ela fica em pé na minha frente, com aquele vestido amarelo florido e com um sorriso maroto deixando à mostra um dente de ouro. Pede de novo para ler a minha mão, desta vez em tom mais intimidador, como que querendo dizer: se não me der a mão eu rogo uma praga. Praga de cigana é o fim. Ninguém precisa disso. Muito menos eu. Resolvo dar uns trocados para ela ir embora. Dou duas moedas de um real. Ela me olha de lado. Sai calada devagarinho e fica me olhando de lado, com cara de má. Será que rogou praga? Será que praga só pensada vale ou tem de ser dita?

Depois desse estresse todo, resolvo ir-me embora. Assovio de novo, desta vez mais alto, pro cara das cadeiras. Pago e vou. Ele me segue. Quando chego ao meu carro, ele tira um papelão que deixou no para-brisa e fica esperando uma gorjeta. O cara das cadeiras é também tomador de conta de carro. Claro. Combinação perfeita.

Vou para casa, tomo um banho, troco de roupa e resolvo ir a um restaurante almoçar.

Como se grita nos restaurantes! Alguém pode me explicar o porquê de tanto barulho? Restaurante grande. Aberto. Barulho dos carros que passam na rua ao lado. Grito das crianças que correm por lá. Uns oito televisores ligados ao mesmo tempo, com volume nas alturas. Som que se junta à música ambiente, que também é alta. Claro que para conversar, as pessoas têm de gritar. Pedi umas cinco vezes para o garçom baixar o volume da TV que estava bem em cima da minha mesa. Não tive sucesso.

Deve fazer mal comer com tanto barulho. Acho que já li alguma coisa sobre isto.

Como somos barulhentos! Fico com vergonha de sermos assim.

A gente vê nos filmes as pessoas falando bem baixinho. Até brigam sussurrando! Uma maravilha! Que inveja!

Quero morar nesses filmes! Acho que Naiara Júlia também deve querer.

A vaca vai pro brejo?

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Voltei!

Depois de duas semanas fora do Brasil, estou de volta ao meu blog.

Estive nos Estados Unidos (Dallas/Fort Worth) e no Canadá (Montreal). Escrevo este post para reclamar: Por que não temos aquelas coisas? Aquelas estradas, aqueles carros (com aqueles preços), aquela sensação de segurança, aquela limpeza, aquela diversidade de produtos, aquela organização?

Acho que em muitas partes do Brasil, nunca teremos. Acho também que nunca teremos supermercados onde o cliente sozinho passa as compras no scanner, paga com cartão e as coloca nas sacolas.  Duvido que isto seja possível aqui. Auto-caixa? Aqui no Brasil? Sei não….

Vi em Montreal, muitas bibliotecas.  Segundo o meu filho que mora lá há dois anos, todos os bairros têm mais de uma. A comunidade aproveita esses locais. As escolas levam os alunos para tardes de leitura e diversão cultural. Na biblioteca que eu visitei, tinha até um piano na rua. Quem quisesse podia tocar. Há também muitos museus em ambas as cidades. Museus bem cuidados, cheios de atrações e eventos.

Impressiona muito a limpeza das ruas. Embora eu tenha visto um cocô de cachorro (apenas 1) numa rua de Dallas, a limpeza é de chamar a atenção. O Brasil estava nos noticiários. Sempre de forma negativa. Corrupção e a violência. Aqueles dias de notícias de mulatas, praia, carnaval e futebol acabaram.

Dirigir nos estados Unidos é um prazer. Várias estradas, todas largas e bem sinalizadas, levam você para onde quiser. Para alugar um carro não leva mais que 10 minutos. Para devolvê-lo, 2! Aqui no nosso Brasil leva-se pelo menos meia hora em cada etapa. Não quero nem comentar a qualidade dos carros de aluguel e nem os preços, porque aí é já humilhação demais.

Muito se fala que os americanos são consumistas. Que compram de tudo e muito. Bem, o consumo das famílias é o que faz o país crescer, não? Se as famílias compram mais, há a necessidade de se produzir mais. Com mais produção, os preços tendem a ser menores pela escala. Para se produzir mais, são necessárias mais indústrias, mais centros de armazenamento e distribuição, mais transportes, mais comércios  e, claro, mais empregos e mais impostos são pagos. Gente empregada compra mais e o ciclo continua.

Os Estados Unidos, quando em crise, derrubam os juros para incentivar as indústrias e o comércio a tomar dinheiro para investir em seus respectivos negócios.  Assim, o parque industrial se moderniza, mais centros comerciais são criados e mantidos e toda a economia cresce.

Por que não somos assim? Por que o Brasil, quando em crise, eleva os juros a níveis estratosféricos? Para conter o consumo, explicam os especialistas. Ora, mas não é o consumo a mola de toda a economia? Por que contê-lo?  Gente, não é justamente o inverso o que acontece por aqui? Menos consumo, menos produção, menos comércio, menos indústria e desemprego. Desempregado compra menos ou não compra. Com juros altos, as indústrias não tomam dinheiro para investir e não se renovam. Os comércios fecham. Mais desemprego. Com menos oferta de produtos, mais caros eles ficam. Com menos produção e venda de produtos, menos impostos são arrecadados.

E a vaca vai pro brejo. Ai, ai. É bom estar de volta…

Meu filho não quer mais voltar.

Compreensão é tudo.

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Lendo um artigo sobre educação, fiquei estarrecido ao saber que, no Brasil, 75% das pessoas com idade entre 15 e 64 anos são considerados “analfabetos funcionais”, aí incluídos os 7% de analfabetos absolutos. São analfabetos funcionais aqueles que sabem escrever o nome e ler frases simples e não conseguem entender o sentido de textos mais longos, expressar ideias por escrito nem realizar operações matemáticas mais elaboradas.

Isto quer dizer que, se um navio estiver afundando e os passageiros brasileiros tiverem de ler o manual para colocar os salva-vidas antes de pular na água, apenas 3 em cada 10 deles se salvarão!

É um número absurdo, mas explica um monte de escolhas que o nosso povo faz.

Acho que aproveitando-se da baixa capacidade de entendimento da população em geral, os Correios afixaram em suas agências o aviso abaixo, que eu mesmo li e fotografei:

Achados e perdidos - Correios

Não seria muito mais simples dizer que a tarifa de achados e perdidos é grátis para quem não tem condições de pagar? Parece mesmo que as pessoas que bolaram o anúncio estavam apostando que quase ninguém iria entender o que estaria lá escrito, e assim a tarifa seria paga por todos, indiscriminadamente. Não sei se a intenção da empresa era essa mesmo. Mas que parece ter sido, parece.


Certo dia, em um voo de São Paulo a Recife fui ao toalete, no fundo do avião. Como estavam ambos ocupados, encostei-me por ali à espera da minha vez. Havia uma senhora também esperando, na minha frente. Ao ler um aviso de Proibido Fumar na porta do toalete, ela puxou conversa comigo:

Se tem esse aviso aí, é porque as pessoas fumam dentro do banheiro, né? 

– Acho que sim, respondi. Mas eles dizem que tem detector de fumaça lá dentro. Se alguém fumar, a tripulação saberá rapidinho.

– É, mas pode ser tarde. A gente não sabe dessas coisas. Depois, acontece um acidente geográfico e não se sabe o porquê….


Sim, compreensão é tudo.

Dá vontade de desistir… Às vezes. Só às vezes.

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Acordei cedo ontem. Antes das 6:00.

Saí com as cadelas pelas redondezas, desviando dos famosos saquinhos plásticos com cocô. Sol forte. Devia ter lembrado de usar um boné. A careca ardendo sob o sol das seis e meia…

Tomando café da manhã, acompanhando o noticiário na TV: governo estadual envia projeto de lei para aumentar vários impostos. Muitas notícias sobre violência urbana: assassinatos, explosões de caixas eletrônicos, gente esfaqueada, bala perdida. Plano de saúde se recusando autorizar procedimento em um paciente. Dólar dispara e passa dos 4 reais pela primeira vez na história. Com a falta de água, a população do interior do estado armazena em casa o precioso líquido em caixas e tanques e isto provoca o aumento da proliferação do mosquito da dengue e a cidade tem uma epidemia….quem imaginaria?

Nem vou falar das notícias internacionais (refugiados, atentados, dívida da Grécia, o Papa em Cuba, etc).

Saí de casa de carro. Trânsito pesado. Motoristas continuam teclando em seus smatrphones e atrapalhando o fluxo. Não bastasse isso, pedestres (tema de novo post em breve) também atravessam as ruas lendo seus e-mails e mensagens, bem devagarinho. Muitas vezes, começam a atravessar a rua quando o sinal para os carros já está abrindo.

O dia estava apenas começava e o número de fatores estressantes bombardeando a cabeça já era muito grande.

O que fazer? Dá uma vontaaade de desistir…voltar pra casa e dormir…Como assim, desistir? É só retórica mesmo, gente. Estou mesmo é com muita vontade de ganhar na Mega-Sena, como na semana passada. Não, eu não ganhei na Mega-Sena na semana passada. A vontade é que é a mesma.

A vontade vem também do sentimento de impotência que sinto. Sentimento de não poder fazer nada, ou muito pouco, para mudar esse estado de coisas. Coisas que poderiam ser muito melhores, se o povo ajudasse, tivesse consciência, educação, compreensão e sentimento de coletividade. Quando falo povo, refiro-me a todos nós. Eu me incluo aí também.

Sou melhor que ninguém, mas pelo menos eu grito, reclamo!

Aqui mesmo, eu reclamo.

O americano sintético

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CENA 1:

John trabalha num escritório no centro de Los Angeles. Estaciona seu carro e desce com um copo de café na mão, que acabara de comprar num drive-in.

Mal chega a sua sala, ouve gritos e tiros vindos da recepção. Abaixa-se e liga para o 911. A telefonista da polícia pergunta qual a ocorrência e em seguida envia umas viaturas.

A polícia chega. O prédio é cercado. As ruas próximas são fechadas.  Ao notar que há reféns, a SWAT é chamada. A equipe de elite desce de rapel de um helicóptero e vai escada abaixo enfrentar os bandidos. O escritório de John fica no trigésimo andar. O prédio tem sessenta.

Mais tiros. Bombas de efeito moral são atiradas. Um início de incêndio é prontamente combatido por nosso protagonista.

No final, dois terroristas são mortos, um ferido e um escapa de paraquedas, gritando: “Vou me vingar. Voltarei para terminar o serviço…ha ha ha ha ha”.

John, volta para casa todo lanhado, camisa rasgada e sujo de fuligem. Antes de enfiar a chave na fechadura, Rebecca, sua esposa abre a porta e o abraça fortemente.

Ela pergunta: “O que aconteceu, baby?”

Ele: “Tive um dia ruim.”

Rebecca abre a geladeira, pega uma cerveja (todas as geladeiras têm cerveja nos Estados Unidos). Ao entregar a cerveja para o John, diz: Relaxe um pouco. Vou preparar o seu banho. Jantar em 20 minutos.

CENA 2:

O pelotão do Sargento O’Hara, segue em fila indiana pela selva. Armas em punho. Tensão no ar. Música dramática.

O’Hara para. Levanta o braço direito e faz um gesto fechando a mão. O pelotão para. Alguns soldados se deitam na relva, apontando suas armas para frente, sem alvo definido. O sargento faz um sinal. Dois dedos apontando dos olhos para frente e fechando as mãos. Todo o pelotão coloca e ativa seus óculos de visão noturna.

Começa intenso tiroteio. Balas traçantes cruzam de todos os lados. Uma delas atinge o peito do soldado Ryan, que havia ficado de pé. O pelotão reage furiosamente e consegue matar os inimigos.

Ao fim do tiroteio, em meio a muita fumaça alguém grita: “Medic, Medic“. Um dos soldados, com uma cruz vermelha no braço, abaixa abre um saquinho com os dentes, derrama um pó na ferida, segura o pulso do soldado Ryan e coloca o ouvido próximo a sua boca, pois ele parece querer dizer algo.

O sargento O’Hara chega. O “Medic” olha pra ele e faz um leve sinal de não, balançando a cabeça suavemente.

……….Acho que todos vocês já viram cenas similares.

Viram como os americanos são sintéticos e não-curiosos? A esposa de John, contenta-se com a singela explicação: “Tive um dia ruim”….sem mais questionamentos. Se fosse aqui, a mulher iria dar um esporro no marido porque chegou em casa tarde e com a roupa rasgada e depois iria querer saber todos os detalhes. Mas todos mesmo!

O simples balançar de cabeça já explica que o soldado Ryan morreu.

Morreu? Meu Deus! Tenta alguma coisa aí, “Medic”. Faz respiração boca a boca, faz alguma coisa. Chama alguém…Ele era tão jovem…diria o Sargento Silva, em prantos, no Brasil.

Adoro o cinema americano. Sem maiores explicações.

Fios e mais fios. Mal, muito mal na foto.

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Adoro fotografia.

Muitas vezes, saio por aí com a câmera ou o celular fotografando a cidade. Seja o Recife ou outra qualquer.

Aqui, no nosso querido Brasil, todas as fiações de telefone, energia de alta tensão, energia de baixa tensão, TV a cabo, internet e o escambau são aéreas, levadas de poste em poste.

Um verdadeiro emaranhado de cabos e coisas sujando o visual da cidade, colocando em risco todos que passam, moram ou trabalham perto.

Por que essas fiações não são subterrâneas? Por que deixar a população correr esse tipo de risco? Por que enfeiar tanto as nossas ruas?

Ontem no fim da tarde fui ao dentista. Em frente ao edifício onde é a sua clínica, deparei com a imagem da foto abaixo. Incontáveis fios! Embora fossem muitos, eles estavam “penteados”. Uma raridade. Na maioria dos casos, é uma bagunça. Uma mistura de fios, cabos, conectores, pipa caída enroscada, transformadores, cocô de pombo, ninho de passarinho, tênis velho, ferro do poste. Uma verdadeira zona. Vocês já devem ter visto.

Fios no posteFiquei sabendo que qualquer um pode pendurar um cabo num poste. Vejamos: temos a CELPE (ou a companhia elétrica da sua cidade), com os fios elétricos de alta e baixa tensão e GVT, Oi, Claro, Vivo, Tim e Telefonica com os cabos de TV e telefone. Tem mais alguma? Não lembro agora. Mas essas operadoras de TV a cabo e telefone colocam muitos novos cabos todos os dias. E, como nem sempre  conseguem remover o fio antigo para sua substituição, deixam tudo lá mesmo e colocam outro novo. Muito mais fácil!

Finalmente, é difícil tirar uma foto de um monumento ou prédio histórico sem ter a sujeira visual dos fios. Bem naquele ângulo legal, lá estão os fios. Bem na frente de um prédio histórico tem um poste com um transformador enorme e um emaranhado de fios. Já tive de apagar fios em foto usando o Photoshop.

Sei não. Acho que fiação subterrânea é um sinal de desenvolvimento. Ainda não chegamos lá. Nem sei se um dia chegaremos a ser realmente Wireless.

Por outro lado, pode ser que deixem de propósito os fios bem lá no alto, que é para proteger dos alagamentos provocados pelos saquinhos de cocô de cachorro jogados no chão (tema de meu post de 11 de setembro passado). Além do mais, se esses fios fossem subterrâneos, certamente iriam viver pipocando e matando gente eletrocutada. Talvez seja melhor deixar lá em cima mesmo. Hehehe

E não temos onde reclamar.

Reclamar, só aqui.

Uma coleção de post pode virar livro? Isso Vale?

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Conversando com a primeira leitora do meu blog, eu disse que a minha intenção é fazer uma coletânea dos meus posts diários e publicar um livro. Daí surgiu a minha primeira divagação das reclamações:

Noite de lançamento do livro. Sessão de autógrafos em importante livraria. Fila enorme, gente saindo decepcionada porque não conseguiu comprar um livro. Estoque esgotou-se rapidamente.

Calor infernal.

 Champanhe acabou logo. Cervejas eram disputadas, entre empurrões e xingamentos.

 Calor, porque holofotes das emissoras de TV que cobriam o evento esquentam muito.

 Minha amiga, Sra. Primeira Leitora, lá na fila, bem blasée:         – Prazer, sou a primeira leitora do blog e fui mencionada na orelha do livro. Não aguento essa rotina de celebridade, muitas viagens, noites acordadas, aparições relâmpago no show do David Gilmour, telefonemas não retornados do Jake Gyllenhaal, aparição na janela do Vaticano ao lado do Papa, e o povo: quem é aquele de cara de branco ali? Aff…

 Após o lançamento do livro, participo de debate literário com Paulo Coelho e Umberto Eco. Transmitido ao vivo pela CNN.

 Luis Fernando Veríssimo queria participar, mas não conseguiu falar comigo.

 Barack Obama convida para a festa de despedida dele na White House.

 Para essa festa, Paul e Ringo chamam Eric Clapton e Stevie Wonder para completar os Beatles.

 Lá pela quinta música, o show para e eu subo ao palco para fazer uma leitura de alguns posts. Leio uns três, apenas.

 Saio.

 A banda volta a tocar. Sob vaias, não conseguem terminar o show.

 Muitas vaias.

 Começam a jogar as cadeiras no palco, pedindo o meu retorno para ler mais.

 Seguranças entram e expulsam quatro mulheres que já haviam atirado as calcinhas no palco e estavam removendo os sutiãs para jogar para mim, na passagem para a limusine.

 Acendem-se as luzes.

 Os livros que estavam expostos para venda foram roubados.

 O Serviço Secreto retira Obama e sua comitiva rapidamente.

 A Polícia chega. Todos são suspeitos.

 Encontraram dois exemplares na caixa da guitarra do Eric Clapton, que é algemado e levado para o camburão, gritando: “Those are for my kids, leave me alone, pleaaaaase, Osaires, Osaires, Heelp”. Até gosto do Eric, mas não deu para ouvir seus apelos.

 Paul McCartney não se despede de ninguém e sai de fininho. Suspeita-se que pelo menos um exemplar está escondido em seu jaquetão. 

 Stevie Wonder disse que não viu nada

 Ninguém sabe o que aconteceu com Ringo. Acham que Obama e Michelle o levaram para a Casa Branca para poder ler para eles o livro que roubaram, já que ele não canta nada.

 Enfim,

 o maior sururu.

Por que o nome dos juros é juros?

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Antes de eu começar a reclamar, que como vocês sabem é do que eu realmente gosto, quero compartilhar uma dúvida que tenho: por que o nome dos juros é juros?  Será que esse nome é dado para uma coisa que você deve e que JURA que vai devolver ou pagar? Não, não é. Andei pesquisando e aprendi que essa palavra tem origem obscura (boa característica para juros, né?). Supõe-se que derive de Jus, Juris. Ou seja um direito ou justiça para alguém receber sobre alguma coisa emprestada.

Em outras línguas, juros tem outro nome: interés (espanhol), interest (inglês). interêt (francês) e interesse (italiano).

Descobri, estarrecido, que o meu banco e os meus cartões de crédito estão muito “interessados” em mim e em todos seus clientes.

Vocês já devem ter lido ou ouvido em algum lugar que os juros dos cheque especial estão muito altos. Bem, segundo informação do Banco Central para final de agosto de 2015, eles variam de 44,48% (Banco do Nordeste do Brasil) a 335,21% (Banco Santander) ao ano! Sendo que os mais famosos ficam no centro dessa variação, com as seguintes taxas anuais: BB = 207,23%; Caixa = 207,08%; Itaú = 230,88%; Bradesco = 257,32%  e HSBC = 318,04  (informações obtidas no site http://www.bcb.gov.br/pt-br/sfn/infopban/txcred/txjuros/Paginas/RelTxJuros.aspx?tipoPessoa=2&modalidade=216&encargo=101).

Pergunto: se a taxa de Selic, que é a taxa de referência para que um banco tome dinheiro emprestado é de 14,25% ao ano (dizem ser a mais alta do mundo, uhuuu), como pode ser permitido esse banco empreste a 318,04%??? É de lascar.

Ao ler com cuidado as minhas faturas de cartão de crédito com vencimento para setembro, vi que essas operadoras vão ainda mais além. Tanto Visa como Mastercard cobram um custo efetivo total anual de 308,00%. Já o Amex, cobra estratosféricos 520,74%. Vejam as fotos logo abaixo.

Costumam-se ouvir explicações dessa disparidade para a inadimplência, o risco, o crédito disponível, etc, etc. Não há nenhuma explicação plausível que consiga me convencer que isto não é pura especulação.

Se você prestar atenção na fatura do Amex, essa vermelhinha (boa cor para isto), vai ver que se você tiver um total de R$1.000,00 e pagar no vencimento apenas o mínimo permitido, que é 15%, na próxima fatura você deverá R$987,28. Ou seja, com 150 reais que pagou, você só conseguiu abater R$12,73 da sua dívida! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Só rindo mesmo, para não chorar. Aliás, para esses casos de juros altos bancários nós não temos a quem reclamar, muito menos ombro para chorar.

Reclamar só aqui mesmo.

Cartão visa jurosCartão amex juros