Jeová. O silencioso

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Jeová dos Anjos era um homem de poucos amigos. Aos seus trinta e poucos anos, sempre levou a vida de maneira quieta e calma. Ninguém o notava. Era um cidadão invisível. Seus vizinhos nem sabiam que naquele pequeno apartamento vivia alguém. Tinha apenas um amigo, Josué,  um funcionário da padaria do Sr. Demóstenes, que todo mundo chamava de Sr. Demo.

Josué e Jeová tinham uma brincadeira silenciosa. Sempre que um deles estava de folga, seguia o outro por todo o dia. O barato deles era contar o que o que viu o outro fazer, por onde andou, o que comprou, com quem falou sem que o outro percebesse e darem baixas risadas. Sim, Josué também era adepto ao minimalismo sonoro.

Sempre que podia, Jeová ficava em silêncio por dias. Fazia um jejum de palavras. Gostava de ficar só, pensando nas coisas que queria dizer, mas sem dizê-las de verdade. Pensava cada coisa! Insultos, cantadas e ironias eram suas preferidas.  Ao cruzar com uma mulher bonita na rua, pensava “que gostosa! Ô lá em casa…” Se o caixa do supermercado demorava, ele fechava os olhos e pensava “amigo, você é muito lento! Parece uma tartaruga com reumatismo! Tenho mais o que fazer! Anda!” Abria os olhos e ficava com aquele sorriso maroto de quem tem razão e que acabou de desabafar.

Esse modo de ser o mantinha calmo. Nunca discutia com ninguém, porque dentro dele as coisas já estavam resolvidas.

Uma tarde, ao sair do zoológico, Jeová vinha distraído lambendo o seu sorvete de casquinha e não reparou na mulher que vinha em sentido contrário. Ela, olhando o seu celular, não viu Jeová vindo em sua direção e eles se esbarraram de frente!

– Ei, moço! Olha por onde anda! O senhor me sujou toda de sorvete. Puxa vida! Oh, não! O meu celular caiu na jaula dos macacos! Bem dentro de uma poça d’água! Caramba!

A mulher, que havia caído sentada e meio desajeitada, tentou levantar-se, mas sentiu muita dor no tornozelo. Tinha tido uma pequena fratura e ficou chorando de dor. Por conta disso, ficou com o pé engessado por 30 dias e perdeu uma importante viagem de trabalho. Chorava de raiva todos os dias.

Jeová, que não sofrera nada nesse esbarrão, ficou triste por perder o seu sorvete e xingou mentalmente essa mulher distraída que estava olhando apenas para o celular.  “olha pra frente, mulher! Parece um zumbi! Você até que não é feia, mas não deve ser muito inteligente! Que coisa! Imagina se eu estivesse tomando uma sopa!” Foi tudo o que ele conseguiu pensar dela. Apesar de serem apenas pensamentos, Jeová era incapaz de falar palavrão. Claro que tudo isso foi presenciado por Josué que, do outro lado da rua, riu muito do que viu.

Ainda com o gesso no pé, a mulher se arrastou a uma delegacia e fez um boletim de ocorrência, acusando o coitado do Jeová de agressão e pedindo providências. Ao mesmo tempo, contratou um advogado para entrar com um processo exigindo ressarcimento por danos morais e materiais.

Alheio a esses iminentes problemas, Jeová seguia com a sua vidinha. Poucos dias depois, recebeu uma intimação para comparecer à delegacia e prestar depoimento. “Como a polícia sabia o meu nome e o meu endereço? Pensou.

Curioso, na data e hora marcadas, compareceu ao 18º distrito. Apresentou-se e foi questionado sobre os fatos daquele dia no zoológico. Ele deu a sua versão e foi liberado. Achou que ficaria bem na fita, já que tudo não tinha passado de um acidente de trânsito de pedestres.

No dia seguinte, recebeu uma notificação judicial. Estava sendo acusado de agressão e havia um pedido de compensação financeira para aquela mulher. Ficou indignado.

A audiência estava marcada para dali a quarenta e cinco dias. Ele tinha de se preparar e provar sua inocência. Até porque não teria como pagar nada.

Lembrou-se de Josué, que lhe havia contado que tinha feito xixi nas calças com a cena do esbarrão. Chamou-o para uma conversa em seu apartamento.

– Josué, preciso que você dê o seu depoimento em meu favor para o juiz.

– Claro, amigo. Com o maior prazer. Afinal, você não teve nenhuma intenção de esbarrar naquela gostosa.

– Como?

– Você não viu direito? A mulher era um avião! Aquela blusinha transparente…. Puxa!

– Não vi nada Josué! Nem fale disso. Se o juiz detectar qualquer insinuação sua, vai achar que eu fiz de propósito.

– Pode deixar. Relatarei apenas os fatos. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

– Josué! É sério, cara.

No dia da audiência, Jeová e Josué com o auxílio de um defensor público se apresentaram diante do juiz. A mulher seu advogado também ali estavam.

Iniciada a audiência, cada uma das partes foi inquirida pelo juiz e contou a sua versão dos fatos. A mulher insinuou que o Jeová esbarrou nela de propósito, com intuito de tocar-lhe o corpo. Jeová, pasmo com as mentiras que estavam sendo ditas ali contra ele, pensou: “ainda bem que eu tenho uma testemunha. Ele vai esclarecer tudo e confirmar a minha versão!”.

O juiz chamou o Josué para depor.

– Nome completo e profissão?

– Josué Alves da Silva, auxiliar de padeiro.

– O senhor é testemunha do Jeová?

– Não senhor. Sou católico.

– Mas o senhor não veio dar o seu testemunho para Jeová?

– Pensei que aqui fosse um fórum e não uma igreja…

– O senhor está de gracinha? Posso mandar prendê-lo por desacato!

– Desculpe, meritíssimo.

– Muito bem. Vamos ao caso. O que fazia o senhor no dia treze de junho passado?

– Eu estava de folga. Estava um dia lindo e resolvi seguir Jeová.

– O senhor é seguidor de Jeová?

– Meritíssimo, eu sigo Jesus. Já lhe falei.

– O senhor está abusando da minha paciência. Conte o que viu, por favor!

Josué contou tudo. Viu que os dois não estavam prestando atenção à frente quando houve o esbarrão. Contou que riu muito e que essa brincadeira de seguir era uma coisa de amigos, que eles faziam sempre.

Diante dos fatos, o juiz anulou o processo e Jeová ficou livre da acusação de agressão e dos pagamentos de danos morais e materiais.

Jeová voltou para casa, tentando ficar ainda mais invisível. Passou a trabalhar só um período na firma de contabilidade, onde era servente. Com o dinheiro mais curto, passava sempre na padaria e gostava de comer os restinhos de massa de pão que o Demo amassou.  

Ele e Josué ainda continuam amigos e se seguem quando dá.

Indignada com o resultado, a mulher seguiu a sua vida tentando esquecer de Jeová e do esbarrão. Passou dias recebendo ligações de seu celular feitas pelos macacos do zoológico. Até que a bateria se esgotou. Ela nunca mais foi ao zoo, lógico.

Hoje tem desabafo

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Morei em alguns países. Tenho saudades de Miami. Gostava de morar lá. Morei e trabalhei por dois anos naquela cidade. Muita arte e cultura, turismo, diversão, compras, praias limpas com água morna, gente interessante…

Não sou saudosista. O Brasil não me faz falta em muita coisa. Cansei de ver turistas brasileiros chegar em Miami e a primeira coisa que querem é comer uma feijoada num restaurante de brasileiros. Ridículo.

Há comidas que adoro e que não vejo em outros países, mas também não vejo aqui no sul do Brasil, onde moro atualmente. Adoro sarapatel! Mas, só tem graça comer essa delícia em algum restaurante de Recife. Não em Florianópolis!

Depois dessa experiência vivendo nos Estados Unidos, o trabalho me proporcionou descobrir outros países onde posso “me sentir em casa”. A Austrália é um deles. Tenho ido frequentemente para lá e fico cerca de trinta dias cada vez. Tenho amigos australianos e me adaptei ao inglês deles. Em alguns países da América do Sul, como Peru e Chile, eu também tenho essa sensação. É bom e estranho ao mesmo tempo. Como turistas, não temos muito tempo de nos habituarmos com os costumes locais. E, se fomos apenas uma vez a algum destino, nunca conheceremos nada além dos principais pontos turísticos.

A vivência nos dá uma outra dimensão. É inevitável a comparação como o Brasil. Ganhamos em algumas coisas, mas perdemos de longe em muitas outras.

É comum eu ser perguntado se eu moraria fora do Brasil de novo. Claro que sim, respondo! Mas, não iria fugindo de nada. Eu iria para buscar uma vida mais segura para a minha família. Especialmente para os meus dois filhos pequenos. Iria para ter estabilidade em tudo e poder sair de casa sem se preocupar em ter o celular ou os tênis roubados e até ser morto por causa dessas coisas.  

A visão crítica da situação do nosso país é péssima! Chega a nos dar desesperança. Parece que nada é feito pelos governantes, legisladores e juízes visando à população.  A sensação de estarmos largados a própria sorte é constante. Por isto, cada um quer tem uma pequena vantagem sobre o outro. Mínima que seja. No trânsito, na escola, no trabalho, no comércio…

Se pararmos para pensar, ficamos loucos.

Dá um desespero ver o estado das coisas no Brasil. Parece não vemos saída. Parece não haver futuro. Vivemos de pequenas conquistas pessoais. Quase nada é uma conquista coletiva.  Sentimos falta disso, haja vista a torcida pela Seleção brasileira de futebol. Mesmo um time medíocre consegue unir quase todo mundo, pelo menos pelo pequeno período de uma Copa do Mundo, quando nos sentimos patriotas e orgulhosos. Sentimos falta de vitórias coletivas e não há muita coisa para comemorar. Repito, comemoramos as vitórias individuais, por menores que sejam. É assim que encontramos eventos que nos motivam a seguir em frente.

Estamos bem perto de eleições majoritárias. Elegeremos Presidente e governadores. Faltando dois meses para irmos às urnas, nada de novo, ou muito pouco, apareceu no front político. É desanimador.

Não farei apologia a nenhum deles. A vontade que dá é não votar. Mas, se eu agir assim abro espaço para os cegos pelo poder e para os fanáticos que idolatram ladrões e mentirosos.

Irei votar. Vou tentar eleger os candidatos menos piores e não ficar inimigo de meus amigos.

O Doutor da Alsácia

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Bartolomeu era um menino muito tímido. Nasceu numa família modesta, no interior de Pernambuco. Tem o mesmo nome que o pai, farmacêutico profissional e relojoeiro (amador, como se autodeclarava) da cidade, conhecido por Seu Memeu.

Por ser filho de Seu Memeu, sofrera bullying na escola. Todos os chamavam de Memeuzinhoooo. Ele ficava furioso, mas não podia demonstrar. Ria amarelo e sofria em silêncio. Ele nunca teve coragem de demonstrar sua revolta e dizer bem alto: O MEU NOME É BARTOLOMEU! MEMEUZINHO É A PUTA QUE LHE PARIU! Embora ele sempre tenha dito isso por dentro.

Memeuzinho, quero dizer, Bartolomeu conseguiu terminar o segundo grau em sua cidade e foi para a capital fazer um curso superior. Farmácia! Essa era a profissão do pai e seria a sua. Ele iniciaria o que sonhava ser uma grande linhagem de farmacêuticos. Cientistas silenciosos que poderiam curar os males do mundo. Além do mais, o cheiro de éter e outras essências que pairavam no ar da Botica do pai sempre o fascinou. Ver Ser Memeu manipulando pós, géis, líquidos de cores estranhas era o máximo. Era como ter um Kit de experiências químicas gigante.

Alguns anos mais tarde, Bartolomeu já formado, conseguiu uma bolsa para fazer um curso de mestrado e doutorado na Université de La Pharmacologie de l’Alsace – Universidade da Farmacologia da Alsácia. O must!  A mais renomada universidade em seu ramo da Europa. A mais exclusiva, mas, certamente, a menos conhecida de seus ex-coleguinhas ignorantes da escola que deixara para trás em sua cidade natal.

Partiu Bartolomeu para a Alsácia. Não dominava o idioma francês, língua que se falava naquela região da Europa. Conhecia apenas algumas palavras aqui e ali, que lera nas bulas das drogas que o pai importava. Arranhava o inglês e achou que conseguiria fazer esse curso na boa. A duras penas, terminou o curso e, após 4 anos, iria retornar para sua cidade.

Em sua cabeça, seria recebido pelo prefeito. Desfilaria em carro aberto pela cidade. Papéis picados sendo jogados dos 2 edifícios de 6 andares que existiam no Centro. Assumiria a Botica do Seu Memeu e o mandaria pescar. Um novo tempo estaria começando!  O Agora “Doutor” não mais seria chamado de Memeuzinho. Imporia respeito. Seria o tal. As moças da cidade o teriam como o melhor partido. Casaria e teria alguns filhos, que certamente dariam continuidade à linhagem de grandes farmacêuticos.

Antes de sair da Alsácia, enviou ao pai um telegrama com os detalhes do voo de regresso. O pai, já idoso, não poderia ir, mas avisou ao prefeito que o seu filho estava chegando da Alsácia!

– Da Alsácia! Que maravilha! Exclamou o prefeito, sem saber direito o que era a Alsácia. Uma cidade? Um país? Uma escola? Um vegetal? Ele comeu um pé de Alsácia e passou mal… pensou.

O prefeito, com os parcos recursos que tinha para eventos, preparou uma recepção modesta na sede da Prefeitura e convidou as principais autoridades e famílias mais proeminentes. Afinal, não era todo o dia que um filho da cidade retornava da Alsácia!

Bartolomeu chegou no aeroporto e ninguém o esperava. Ele já sabia que o seu pai não poderia ir, mas ninguém? Resignado, contratou um táxi para levá-lo até a sua cidade. De ônibus não dava. Trazia consigo muitos livros e muitas amostras de produtos miraculosos que aprendera como manipular com seus mestres.

No caminho, pensou: vou, finalmente, ter o reconhecimento que mereço! Agora, eu quero ver o Luceninha, que tanto me achincalhava! Enquanto ele ficou na pequenina cidade do interior, eu, o Doutor Bartolomeu, retorno em triunfo!

Na noite de sua recepção, muita gente compareceu à festa. Claro, uma boca-livre financiada pela prefeitura não acontecia toda hora. O Prefeito deu as boas vindas e entregou ao Doutor Bartolomeu a Chave da Cidade, que mandara confeccionar no melhor serralheiro do município. Sem licitação, pois era uma emergência.

Após breve discurso, o prefeito começou a circular pelo salão de festas da prefeitura para apresentar o Doutor Bartolomeu à Nata da Sociedade e aos empresários do comércio e da indústria (sim a única) de couro da região.

– Doutor Moisés, quero lhe apresentar o Doutor Bartolomeu. Ele veio da Alsácia! Já imaginou? Da Alsácia! Diretamente para a nossa cidade! Que orgulho! O filho pródigo à casa torna!

– Boa noite, senhoritas, disse o prefeito levando o Doutor Bartolomeu pelo braço ao encontro de um pequeno grupo de moças. Este é o Doutor Bartolomeu da Alsácia. Sim, já tinha incorporado ao nome o lugar onde passara os últimos quatro anos. As moças sorriram e se assanharam.

Bartolomeu, como sempre, apesar de sua inteligência privilegiada, continuava muito tímido e quase nada aproveitou de sua noite de recepção. Não comeu ninguém e os contatos com os empresários não lhe renderam grandes coisas.

Como planejado, assumiu a botica do pai. Seu Memeu se aposentou e nunca foi pescar, pois achava aquilo um saco.

A Botica nunca evoluiu. Teve até um movimento maior, logo após ao seu regresso, mas logo as coisas voltaram ao normal. Um creme aqui, outro acolá. Um xarope contra tosse. Um unguento para as artrites dos mais idosos. E só.

A Alsácia nunca fez muita diferença em sua vida, embora a farmácia o fizesse feliz.

Nunca casou e a sua linhagem de grandes farmacêuticos morreria ali. Com ele.

O que lhe enchia os cornos era o seu nunca-amigo de infância Luceninha, que vez por outra passava de carro com outros amigos e garotas e gritavam: Doutor Memeuzinhooooo!!!!

DOUTOR MEMEUZINHO É A PUTA QUE LHE PARIU! Gritou Bartolomeu para dentro.

Ninguém ouviu.

Rita Lee foi passear

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Terminei há pouco de ler a autobiografia de Rita Lee, presente de minha amiga Eliani Impieri, que em dedicatória me disse que eu, sem saber, a ensinei a gostar de rock. Isso lá nos idos dos anos 70. Muito legal.

Ótima leitura para quem, como eu, viveu no século dela (Rita). Bem, continuamos vivendo.

Rita Lee nasceu uma geração antes da minha, mas sempre esteve muito à frente de todos na época.

Identifiquei-me desde sempre com o rock que ela fazia. Comprei muitos LP’s dos Mutantes e do início de sua carreira solo e ainda os coleciono como tesouros.

Foi engraçado ter tido conhecimento em suas próprias palavras o seu enrosco difícil com drogas mis e álcoóis.
Acho que por conta da censura da época, a gente não sabia nada disso. Sabia-se que ela gostava de um baseado, mas o resto ficava só na nossa imaginação juvenil. Logo eu, caretão, que só transava 3, 4 Cubas ou uma caipirinha…

Sexo, cachaça e Rock and Roll, era o meu lema. Se bem que naquela época havia muito mais Rock and Roll do que o resto.

É quase impensável hoje em dia para algum artista do gabarito de Rita não ter se beneficiado de nenhuma lei de incentivo à cultura ou participado de algum comício para eleger políticos. Como foi interessante saber que, mesmo participando de diversos especiais da Globo e do Fantástico, ela não tenha sido chamada de coxinha. Nunca soube de ninguém que tenha reclamado por ela ter cantado, num especial da Globo, uma Bossa-Nova sem graça (Jou Jou Balagandans) com o João Gilberto.

Aliás, porque a mídia é tão demonizada neste nosso país? Porque tanta gente reclama da Globo, da Veja, da Folha e etc.? Confesso que não vejo mais muita coisa da Globo. Sou assinante da Veja há mais de 20 anos e continuarei sendo, para horror de alguns conhecidos meus. Essa gente que quer excomungar pessoas que, como eu, vê televisão e lê revistas acha o quê? Que eu não tenho opinião própria? Que serei influenciado a cometer crimes seriais ou coisa pior por que saiu na revista alguma reportagem sobre o assunto? Aliás, como essa gente sabe o que saiu na tv ou nas revistas se elas alegam que não as vê nem as lê?

Enfim, Rita Lee passou por todas as mídias. Foi podada pela Censura e duramente criticada pela mídia da época, apesar de ser até hoje referência e influência no mundo do rock tupiniquim. Vendeu muitos discos. Foi campeã de vendas de LP, de CD, de DVD e no Itunes. Mas muitos mesmo! Grandes sucessos nas paradas, temas de novelas e coisa e tal.

Parabéns pela carreira (artística), querida Rita.

Obrigado pelo presente, querida amiga Eiani. Retribuo aqui, deste meu jeito.

Valores invertidos

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Vivemos dias estranhos.

Tenho lutado arduamente comigo mesmo para não publicar nenhum post com conteúdo político, pois procuro escrever sobre coisas do cotidiano. Coisas que me aborrecem ou que acho erradas.
Entretanto, a política brasileira é, atualmente, o assunto mais cotidiano. Não sei dizer ao certo, mas creio que uns bons 70% dos noticiários da TV estão dedicados à corrupção, bandidagem política, delações premiadas ou não, queda do governo, subida de outro, assuntos judiciários, evasão de divisas, rombo nas contas, falta de responsabilidade com a coisa pública, pessoas presas, outras sendo mandadas para casa com tornozeleiras eletrônicas… Ufa!

Tudo isso me aborrece demais! Então, se me aborrece e é cotidiano, pode ser tema de post.

Uma coisa que me chama muito a atenção é a inversão dos valores. Certa autoridade com foro privilegiado foi pega em conversa pouco republicana com uma ex-autoridade que estava tendo o seu telefone monitorado pela Polícia Federal.

Pois bem, essa autoridade não cansa de falar que acha isso uma ilegalidade. Diz que é uma ameaça ao Estado Democrático de Direito essas conversas terem sido divulgadas e faz críticas ferozes ao juiz que permitiu a publicidade da gravação. O curioso é que em nenhum momento eu vi essa autoridade desmentir convincentemente o conteúdo da conversa, que soava como pura obstrução à justiça. Quando o fez, apresentou uma versão totalmente invertida da realidade. Invertida e descarada.

O que me chateia, não é o fato da conversa interceptada, em si. É a explicação mal dada, subestimando a capacidade de entendimento da população. Os únicos que acreditaram, ou fingiram que o fizeram, foram aqueles fiéis escudeiros que estavam ali na plateia. Poucas pessoas. Acho, até, que mesmo dentre elas muitas não criam naquilo.

Essas “autoridades” precisam entender que dizer uma mentira repetidas vezes não a torna uma verdade, como dizia o chefe da propaganda nazista. Dizer uma mentira repetidas vezes é mentir muitas vezes.

Nosso Brasil é peculiar. Um país lindo, com tanto potencial para tudo. Somos, porém, uma nação estranha. Estamos acostumados com um estado de coisas que causaria arrepios a habitantes de outros países.  Temos um sistema capitalista que quer ser socialista. Ou socialista que quer ser um pouco capitalista. Temos um governo que se intromete na vida do cidadão, obriga-o a votar, cobra o mais que pode em impostos e taxas e dá muito pouco em retorno. Apesar de todas essas mazelas, ainda nos consideramos abençoados por Deus e bonitos por natureza. Deus é brasileiro, blá, blá, blá

Acho que é por sermos uma espécie de gente e país tão curiosos que existem estudiosos americanos que se denominam “Brasilianistas“. Nunca ouvi falar de um Francesista, ou Africanista, ou Italianista

Querem outro exemplo de inversão de valor? Ontem, eu fui a uma clínica de fisioterapia fazer uma avaliação e marcar umas sessões. Após ter passado pela primeira parte, dirigi-me à recepção para agendar as sessões, que haviam sido determinadas pelo meu ortopedista.

Uma única recepcionista atendia uma mulher a minha frente e havia outras quatro atrás de mim.

No meio do demorado atendimento dessa mulher à minha frente, o telefone da clínica tocou. A recepcionista atendeu de pronto e começou a conversar com alguém que queria agendar sessões. O mesmo que queríamos, eu e a mulher da frente! A recepcionista começou a teclar no computador e a falar com a pessoa ao telefone: A senhora pode começar segunda que vem às oito e quinze? Não. Sei. Deixe-me ver outro dia…

Ou seja: as pessoas da fila não têm nenhuma importância diante de alguém que telefona. Ficar ali passivamente esperando não nos garante sermos atendidos na nossa vez. Basta que alguém telefone para passar à nossa frente.

Eu reclamei com a recepcionista e ela me disse: senhor, um minutinho! Eu respondi: peça, por favor, um minutinho à pessoa da linha ou pegue o seu número e ligue para ela após atender a todos nós daqui da fila, ora!

Isto já aconteceu comigo outras vezes em diversas situações. Tenho certeza que com vocês também.

Precisamos urgentemente reavaliar nossos valores e a ordem deles na nossa vida. Temos de nos desacostumar com o que está aí ou viveremos sempre sendo passados para trás.

 

Mudança é coisa séria.

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Mudei para uma nova cidade.
Uma na qual já vivi por alguns anos, alguns deles atrás.

Mudança é uma coisa pavorosa. Temos de ouvir um monte de promessas falsas de fornecedores de serviços, lidar com gente mexendo em nossas coisas, pagar caro por isto e ter muita, mas muita paciência para enfrentar todo esse processo.

Mudar de casa não é tarefa para fracos. Mudar de cidade é ainda pior.

Muitas dificuldades de encontrar novo apartamento, com exigências absurdas de imobiliárias para fazer o cadastro.  Tente conseguir um fiador…

Aqui nesta cidade, para dificultar um pouco mais as coisas, quase todos os apartamentos não têm armários. Alguns deles nem pia na cozinha têm. Como assim? A gente muda e traz a nossa pia junto?

Finalmente, encontrei um apê legal, com pia, mas sem armários, num tamanho bom e perto das coisas que nos interessam. Começa outra via crucis: a de mudar o endereço dos serviços de telefone, internet e TV por assinatura.

Como podem essas megaempresas ter atendentes tão despreparadas e sistemas tão lentos e obsoletos?

Enquanto escrevo este post, estou na linha com a NET. O atendimento começa assim: “Olá, você está na NET. Eu já verifiquei no sistema o número que você está ligando. Espere um pouco que vou acessar o seu cadastro”. Tlec, tlec, tlec (som de alguém teclando no computador). “Pronto. Já identifiquei o seu cadastro. Por favor, anote o número do protocolo, caso você queira falar sobre essa chamada no futuro”. A voz dita um protocolo com 15 números. Falarei sobre sua utilidade à frente.

Depois de teclar um monte de números nos menus, teclo 2 para “mudança de endereço para outra cidade”e chego a falar com uma atendente, de nome Jadicleide. Viva!

A primeira coisa que Jadicleide me pergunta é: “em que posso ajudar?” Ora, se eu cheguei até ela para mudança de endereço para outra cidade, em quê mais ela poderia me ajudar? Paciência, Osires, paciência.

Em seguida, Jadicleide me pergunta o nome e o CPF do titular. Embora a voz do começo tenha dito que já tinha identificado o meu cadastro, tenho de dizer esses dados. Jadicleide pergunta o meu nome. Esta atendente parece ter dificuldades em entendê-lo. Após tê-lo repetido umas quatro vezes, ela finalmente entende e diz: “Ok, Sr Alzides”. Deixo como está para não prolongar ainda mais o atendimento.

Outro protocolo me é passado, em substituição àquele do início.

Jadicleide me informa que esse procedimento deverá durar em torno de uma hora. Uma hora? Tenho de ficar no telefone por uma hora inteira para fazer uma simplória mudança de endereço? Resignado, aceito o desafio. Ela me diz: “Irei estar efetuando a mudança. A ligação ficará muda, mas estarei aqui. Se precisar é só chamar”. Nem tenho tempo de dizer ok. A ligação cai.

Ligo de novo. Passo pelos mesmos procedimentos até chegar a mais uma atendente, a quem digo: “Olha, eu estava sendo atendido e a ligação caiu. Entretanto, eu tenho protocolo para retomarmos de onde parei”. Essa nova atendente me pergunta: “qual o nome e o CPF do titular da conta?” Pô! Para quê se anota protocolo, afinal, se tenho de contar tudo de novo? Que perda de tempo e paciência!

Nem preciso dizer que essa nova ligação cai de novo. E de novo!

Estou na quarta ligação. Desta vez com Pamela, que parece ser a mais esperta delas. Acho que agora vai. Tomara. Até já passei os meus dados para débito em conta…
dedos cruzados.

Cada vez em que a ligação fica muda, eu chamo a Pamela para checar se ela está lá. Até agora está.

Uhuuu!!! Terminou! Tenho um novo número de telefone, a visita para a instalação foi agendada e tudo só demorou 52 minutos!

A coisa é séria! Se para mudar de endereço é dificil, tentem cancelar um desses serviços! É muito mais!

Não podemos viver sem internet, telefone ou TV por assinatura, mas somos reféns desses oligopólios que nos atendem tão mal.

Que saudades da Coréia do Sul… Nunca morei nem fui lá, mas ouvi dizer que é massa.

Fila, para quê te quero?

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Numa loja de departamento, várias filas individuais para os caixas.

Um casal conversa à minha frente numa delas. De repente, o caixa para onde deveríamos ir acende a luz e diz que o sistema está fora do ar.

O cara reclama: Puxa! Logo na nossa vez…

A mulher responde: É a lei do Eddie Murphy! Quando algo pode dar errado, vai dar!

Escutei, silenciosamente, esse diálogo, com a maior vontade de rir. Lei do Eddie Murphy….Putz!

Certa vez, um amigo americano me disse que nós, brasileiros, adorávamos uma fila. Fiquei pensando nisto e constatei que, ou nós realmente amamos ficar em filas, ou somos muito organizados em relação a elas.

Muitos anos atrás, eu soube que um funcionário do falecido Banorte foi quem teve a brilhante ideia da fila única. O cara até ganhou um prêmio por isso. Esse jeito de colocar todos os caixas à disposição dos clientes logo foi adotado por todos os outros bancos e por, praticamente, todas as grandes lojas. Sem dúvida, é uma boa forma para os Caixas mais lentos passarem despercebidos.

Temos fila para tudo, realmente. Há até lojas que se aproveitam disto e colocam um monte de coisas à venda bem à vista, em prateleiras de um lado e de outro da fila. Desconfio, até, que algumas dessas lojas orientam os Caixas a não irem muito rápido, que é para poderem deixar os clientes mais tempo em contato com os produtos expostos na fila, praticamente forçando-os a comprar por impulso.

Em todos os Caixas dos supermercados há esses produtos ao lado da fila. Ouvi dizer que os fornecedores que querem deixar seus produtos ali expostos pagam uma grana preta. Portanto, não adianta reclamar e pedir mais celeridade, pois quanto mais devagar, melhor para eles.

No dia dos namorados deste ano, passei em frente a um motel e tinha uma fila de carros à espera para entrar. Nesse caso, a pressa é do motel também, pois, dependendo da urgência dos ocupantes, eles podem até resolver as coisas ali dentro do carro mesmo e nem entrar no estabelecimento.

Outro dia, fui jogar na Mega-Sena que estava acumulada. Nessa lotérica tem um caixa exclusivo para receber jogos. Tinha umas 50 pessoas na fila. Eu, sem saber do tal caixa exclusivo, parei na fila. Chega uma mulher atrás de mim e pergunta:

– Essa fila é pra quê, moço?

– Para jogar na Mega

– Será que paga luz também?

– Acho que sim.

– E água?

– Acho que sim.

– Será que não tem um caixa só para pagar contas?

– Não sei, vou perguntar…

Foi aí que eu descobri que tinha o caixa exclusivo para jogos. E que só tinha 1 pessoa! Saí da fila que estava e fui para a outra. A única pessoa estava jogando uns 5 bolões de uns 200 cartões cada. Acho que teria feito melhor negócio se tivesse ficado na fila geral…

Olho para trás de mim e lá estava a mesma mulher.

Fiz minha fezinha e saí. Ainda deu para escutar a mulher perguntando ao caixa:

– Posso pagar luz aqui?

– E água?

 

Playboy x pelos pubianos

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Muitos de vocês, caros leitores, podem achar que este tema não é legal, é machista, etc., mas eu vou escrever sobre ele assim mesmo.

Li, estupefato, que, a partir de março de 2016, a revista Playboy dos Estados Unidos não mais publicará fotos de mulheres nuas. Fotos em poses sensuais, sim. Nudez, nunca mais! Seu presidente disse que irá continuar com as reportagens investigativas (?), entrevistas com profundidade (sic) e ficção. Ora, eu usava essas coisas como desculpa para comprar a revista, quando, na verdade, eu queria mesmo era ver mulher pelada. Acho que tantos homens falaram isto para suas esposas e companheiras que até o presidente da revista acreditou…

O executivo alega que, hoje em dia, há fotos e vídeos de mulheres nuas e de sexo aos montes a um clique de distância e que fotos de mulheres nuas nas páginas de sua revista não fazem mais sentido. Ele tem razão em parte. Mas, ora, onde iremos poder ver fotos de mulheres famosas nuas? Nunca mais uma Bo Derek, uma Farrah Fawcett ou uma Marilyn Monroe, que, aliás, foi a primeira capa da Playboy?

Tenho uma teoria. Acho que o fim dessa revista está próximo. O começo de seu fim aconteceu quando as mulheres passaram a ser fotografadas sem pelos pubianos. Mulheres assim fotografadas parecem de plástico. Sem esses pelinhos as fotos ficam estranhas. Na maioria das vezes a parte genital parece infantilizada. Apenas pele é mostrada. Sem sex appeal.

Outro dia, folheei uma edição nacional, em cujas páginas centrais estava uma linda bailarina negra do programa do Faustão. Fotos lindas. Mulher linda. Poses sensuais, mas… sem pelo nenhum. Só a cabeleira tipo Black Power. Nada mais. Havia uma foto dela em pé, de frente, numa mata… sem mata nenhuma. Nem parecia que estava completamente nua. Decepcionante.

Que falta eu sinto do tempo das fotos de Vera Fischer, Luma de Oliveira, Lídia Brondi, Carla Camuratti e……..Claudia Ohana. Ah, a Cláudia Ohana… O apogeu dos pelos pubianos. Demais até para mim.

Expurgando as fotos de mulheres nuas, a Playboy virará uma revista normal, com conteúdo diversificado, mas sem alma. A alma da revista eram as Playmates (com pelos, claro).

Será que ainda acontecerão as famosas festas na mansão de Mr. Hefner? Se ocorrerem e forem reportadas nas páginas da revista, acho que as mulheres estarão, no máximo, de topless. Pouca gente comparecerá, certamente. Mesmo assim eu iria, se fosse convidado… hehehe

Pesquisando na internet achei várias referências sobre a importância desses pelos, que estão estrategicamente posicionados para, no caso da mulher, protegê-las de bactérias e de outros males rastejantes, facilitar o sexo, ajudar na produção de odores ligados a Ferormônios e deixá-las mais femininas e atraentes (essas duas últimas funções são opiniões do autor).

Homem que é homem gosta de mulher com pentelho. Pronto. Disse.

Homem que gosta de mulher totalmente depilada deve ter problemas. Mulher tem de ter aparência e cheiro de mulher. Mulher depilada parece uma menina e não tem cheiro de nada. Fico imaginando o sofrimento das mulheres para se depilarem nessas partes tão sensíveis para satisfazer uma estética esquisita. Deve doer demais!

Faço um apelo (sem trocadilho): Abaixo as fotos com mulheres totalmente depiladas! Lutemos por um mundo com mais pentelhos (os pelos pubianos e não os caras chatos)!

Que a Playboy, essa revista que tanto me inspirou em momentos solitários, não desista dessas fotos. Caso contrário, no futuro, poderá ser publicada uma reportagem com o título: Falta de pelos pubianos levam famosa revista masculina à falência.

Quem poderia imaginar uma coisa dessas?

PS- Aconteceu! Tomei conhecimento pela mídia que a Playboy brasileira vai deixar de ser publicada. The end. Finito. Tão vendo? A falta de pentelhos faliu a Playboy, Tenho certeza disto

 

Grumpy mate de novo no trânsito.

Padrão

Caras pessoas,

Imaginem uma rua bem asfaltada, calçadas bem cuidadas, com piso regular, sem buracos e sem bancas de revista que, normalmente, ocupam quase todo o espaço (obrigando os pedestres a se aventurarem na rua, correndo risco de serem atropelados). Nessa rua, as árvores são bem podadas, os postes bem localizados e lixeiros a cada esquina. Essa utópica rua tem tampas de esgoto na altura certa e os bueiros são limpos e desimpedidos.

A nossa realidade, como vocês sabem, é bem diferente. Muito reclamo da intervenção dos governos na nossa vida cotidiana. Entretanto, tenho da admitir que em certos casos essa intervenção é muito necessária. Já explico o porquê.

Acredito que falte um assunto essencial a ser ensinado nas autoescolas: dirigir dentro das faixas pintadas nas ruas!

Como, aparentemente, esse tema não é tratado nessas aulas, um grande número de motoristas se posiciona no tráfego como lhe convém ou como o seu “bom senso” dita. Alguns deles acham que aquela peça pretinha, presa bem no meio do capô do carro, de onde esguicha água para limpar o para-brisa, é o alinhamento a ser seguido. Assim, os que optam por esse modo de posicionamento, conduzem seus veículos bem no meio da rua.

Há motoristas que miram bem certinho para colocar as rodas, de um lado ou de outro de seu carro, bem em cima da linha, o que quase não deixa espaço para ultrapassagem.

Outros, que certamente adoravam brincar de pular corda na infância, cruzam as linhas de um lado para outro, num perigoso zigue-zague.

A intervenção das autoridades (que nem sempre são) competentes é a de pintar e repintar as faixas no piso das ruas! Muitas ruas as têm bem fraquinhas, outras nem as têm.

Quando não há linhas pintadas nas ruas, os motoristas cruzam de um lado para o outro a seu bel prazer e param enviesados nos sinais, muitas vezes bem no lugar onde deveria estar a faixa de pedestres. O trânsito que já é ruim transforma-se em caos. Terra de ninguém.

Para piorar, como os pedestres não têm calçadas adequadas e desobstruídas, andam pelas ruas desviando de buracos, bancas de revista, postes, árvores, cocôs de cachorro e de gente, poças d’água, montes de areia, cavaletes de obras e etc. Como muitas vezes não existem as faixas de pedestres, eles atravessam a rua em qualquer lugar. Pior, atravessam diagonalmente, deixando-os por mais tempo dividindo a rua com carros, ônibus, motociclistas e ciclistas. Devem ter faltado às aulas de geometria.

O risco para os pedestres é aumentado na proporção da quantidade de motoristas que ficam lendo mensagens em seus celulares enquanto dirigem.

Para concluir, conclamo:

Autoridades: Pintem e repintem as linhas nas ruas e as faixas de pedestres;

Autoridades: Recuperem as calçadas, retirem e não permitam obstruções no caminho dos pedestres;

Autoridades: Sincronizem os sinais de trânsito;

Autoridades: Obriguem as autoescolas a ensinar os motoristas a conduzir seus veículos entre as linhas e a sinalizar usando as setas quando forem mudar de faixa;

Motoristas: Conduzam seus veículos bem no centro da faixa em que se encontra. Lembrem-se, posicionem-se com uma linha (ou o meio fio) à esquerda e uma linha (ou o outro meio fio) à direita. Bem simples;

Motoristas: Usem as setas de indicação de direção;

Motoristas: Caso tenham de entrar em uma rua à esquerda e vocês estiverem do outro lado da via, comecem a mudar de lado bem antes. Não deixem para mudar de faixas em cima da rua que querem entrar. O mesmo funciona para ruas à direita, só que invertido, ok?;

Pedestres: Cruzem a rua na sua faixa;

Pedestres: Cruzem a rua em uma linha imaginária perpendicular à rua e não diagonal;

Pedestres: Nunca atravessem a rua por entre os carros parados ou em movimento;

Bem, se a intervenção das autoridades (não vou mais chamá-las de competentes) for efetiva, mostrando o caminho a ser seguido pelos motoristas e as calçadas estiverem pavimentadas, limpas e desobstruídas, talvez consigamos motoristas e pedestres mais atentos e, com isso, melhorar a fluidez e a segurança do trânsito de nossas cidades.

Estou muito cansado disso tudo. Esse nosso trânsito me deixa ainda mais Grumpy!

Grumpy Mate no trânsito de novo.

Padrão

Caras pessoas,

Imaginem uma rua bem asfaltada, calçadas bem cuidadas, com piso regular, sem buracos e sem bancas de revista que, normalmente, ocupam quase todo o espaço (obrigando os pedestres a se aventurarem na rua, correndo risco de serem atropelados). Nessa rua, as árvores são bem podadas, os postes bem localizados e lixeiros a cada esquina. Essa utópica rua tem tampas de esgoto na altura certa e os bueiros são limpos e desimpedidos.

A nossa realidade, como vocês sabem, é bem diferente. Muito reclamo da intervenção dos governos na nossa vida cotidiana. Entretanto, tenho da admitir que em certos casos essa intervenção é muito necessária. Já explico o porquê.

Acredito que falte um assunto essencial a ser ensinado nas autoescolas: dirigir dentro das faixas pintadas nas ruas!

Como, aparentemente, esse tema não é tratado nessas aulas, um grande número de motoristas se posiciona no tráfego como lhe convém ou como o seu “bom senso” dita. Alguns deles acham que aquela peça pretinha, presa bem no meio do capô do carro, de onde esguicha água para limpar o para-brisa, é o alinhamento a ser seguido. Assim, os que optam por esse modo de posicionamento, conduzem seus veículos bem no meio da rua.

Há motoristas que miram bem certinho para colocar as rodas, de um lado ou de outro de seu carro, bem em cima da linha, o que quase não deixa espaço para ultrapassagem.

Outros, que certamente adoravam brincar de pular corda na infância, cruzam as linhas de um lado para outro, num perigoso zigue-zague.

A intervenção das autoridades (que nem sempre são) competentes é a de pintar e repintar as faixas no piso das ruas! Muitas ruas as têm bem fraquinhas, outras nem as têm.

Quando não há linhas pintadas nas ruas, os motoristas cruzam de um lado para o outro a seu bel prazer e param enviesados nos sinais, muitas vezes bem no lugar onde deveria estar a faixa de pedestres. O trânsito que já é ruim transforma-se em caos. Terra de ninguém.

Para piorar, como os pedestres não têm calçadas adequadas e desobstruídas, andam pelas ruas desviando de buracos, bancas de revista, postes, árvores, cocôs de cachorro e de gente, poças d’água, montes de areia, cavaletes de obras e etc. Como muitas vezes não existem as faixas de pedestres, eles atravessam a rua em qualquer lugar. Pior, atravessam diagonalmente, deixando-os por mais tempo dividindo a rua com carros, ônibus, motociclistas e ciclistas. Devem ter faltado às aulas de geometria.

Além disso, o risco para os pedestres é aumentado na proporção da quantidade de motoristas que ficam lendo mensagens em seus celulares enquanto dirigem.

Para concluir, conclamo:

Autoridades: Pintem e repintem as linhas nas ruas e as faixas de pedestres;

Autoridades: Recuperem as calçadas, retirem e não permitam obstruções no caminho dos pedestres;

Autoridades: Sincronizem os sinais de trânsito;

Autoridades: Obriguem as autoescolas a ensinar os motoristas a conduzir seus veículos entre as linhas e a sinalizar usando as setas quando forem mudar de faixa;

Motoristas: Conduzam seus veículos bem no centro da faixa em que se encontra. Lembrem-se, posicionem-se com uma linha (ou o meio fio) à esquerda e uma linha (ou o outro meio fio) à direita. Bem simples;

Motoristas: Usem as setas de indicação de direção;

Motoristas: Caso tenham de entrar em uma rua à esquerda e vocês estiverem do outro lado da via, comecem a mudar de lado bem antes. Não deixem para mudar de faixas em cima da rua que querem entrar. O mesmo funciona para ruas à direita, só que invertido, ok?;

Pedestres: Cruzem a rua na sua faixa;

Pedestres: Cruzem a rua em uma linha imaginária perpendicular à rua e não diagonal;

Pedestres: Nunca atravessem a rua por entre os carros parados ou em movimento;

Bem, se a intervenção das autoridades (não vou mais chamá-las de competentes) for efetiva, mostrando o caminho a ser seguido pelos motoristas e as calçadas estiverem pavimentadas, limpas e desobstruídas, talvez consigamos motoristas e pedestres mais atentos e, com isso, melhorar a fluidez e a segurança do trânsito de nossas cidades.

Estou muito cansado disso tudo. Esse nosso trânsito me deixa ainda mais Grumpy!