Hoje tem desabafo

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Morei em alguns países. Tenho saudades de Miami. Gostava de morar lá. Morei e trabalhei por dois anos naquela cidade. Muita arte e cultura, turismo, diversão, compras, praias limpas com água morna, gente interessante…

Não sou saudosista. O Brasil não me faz falta em muita coisa. Cansei de ver turistas brasileiros chegar em Miami e a primeira coisa que querem é comer uma feijoada num restaurante de brasileiros. Ridículo.

Há comidas que adoro e que não vejo em outros países, mas também não vejo aqui no sul do Brasil, onde moro atualmente. Adoro sarapatel! Mas, só tem graça comer essa delícia em algum restaurante de Recife. Não em Florianópolis!

Depois dessa experiência vivendo nos Estados Unidos, o trabalho me proporcionou descobrir outros países onde posso “me sentir em casa”. A Austrália é um deles. Tenho ido frequentemente para lá e fico cerca de trinta dias cada vez. Tenho amigos australianos e me adaptei ao inglês deles. Em alguns países da América do Sul, como Peru e Chile, eu também tenho essa sensação. É bom e estranho ao mesmo tempo. Como turistas, não temos muito tempo de nos habituarmos com os costumes locais. E, se fomos apenas uma vez a algum destino, nunca conheceremos nada além dos principais pontos turísticos.

A vivência nos dá uma outra dimensão. É inevitável a comparação como o Brasil. Ganhamos em algumas coisas, mas perdemos de longe em muitas outras.

É comum eu ser perguntado se eu moraria fora do Brasil de novo. Claro que sim, respondo! Mas, não iria fugindo de nada. Eu iria para buscar uma vida mais segura para a minha família. Especialmente para os meus dois filhos pequenos. Iria para ter estabilidade em tudo e poder sair de casa sem se preocupar em ter o celular ou os tênis roubados e até ser morto por causa dessas coisas.  

A visão crítica da situação do nosso país é péssima! Chega a nos dar desesperança. Parece que nada é feito pelos governantes, legisladores e juízes visando à população.  A sensação de estarmos largados a própria sorte é constante. Por isto, cada um quer tem uma pequena vantagem sobre o outro. Mínima que seja. No trânsito, na escola, no trabalho, no comércio…

Se pararmos para pensar, ficamos loucos.

Dá um desespero ver o estado das coisas no Brasil. Parece não vemos saída. Parece não haver futuro. Vivemos de pequenas conquistas pessoais. Quase nada é uma conquista coletiva.  Sentimos falta disso, haja vista a torcida pela Seleção brasileira de futebol. Mesmo um time medíocre consegue unir quase todo mundo, pelo menos pelo pequeno período de uma Copa do Mundo, quando nos sentimos patriotas e orgulhosos. Sentimos falta de vitórias coletivas e não há muita coisa para comemorar. Repito, comemoramos as vitórias individuais, por menores que sejam. É assim que encontramos eventos que nos motivam a seguir em frente.

Estamos bem perto de eleições majoritárias. Elegeremos Presidente e governadores. Faltando dois meses para irmos às urnas, nada de novo, ou muito pouco, apareceu no front político. É desanimador.

Não farei apologia a nenhum deles. A vontade que dá é não votar. Mas, se eu agir assim abro espaço para os cegos pelo poder e para os fanáticos que idolatram ladrões e mentirosos.

Irei votar. Vou tentar eleger os candidatos menos piores e não ficar inimigo de meus amigos.