Mudei para uma nova cidade.
Uma na qual já vivi por alguns anos, alguns deles atrás.
Mudança é uma coisa pavorosa. Temos de ouvir um monte de promessas falsas de fornecedores de serviços, lidar com gente mexendo em nossas coisas, pagar caro por isto e ter muita, mas muita paciência para enfrentar todo esse processo.
Mudar de casa não é tarefa para fracos. Mudar de cidade é ainda pior.
Muitas dificuldades de encontrar novo apartamento, com exigências absurdas de imobiliárias para fazer o cadastro. Tente conseguir um fiador…
Aqui nesta cidade, para dificultar um pouco mais as coisas, quase todos os apartamentos não têm armários. Alguns deles nem pia na cozinha têm. Como assim? A gente muda e traz a nossa pia junto?
Finalmente, encontrei um apê legal, com pia, mas sem armários, num tamanho bom e perto das coisas que nos interessam. Começa outra via crucis: a de mudar o endereço dos serviços de telefone, internet e TV por assinatura.
Como podem essas megaempresas ter atendentes tão despreparadas e sistemas tão lentos e obsoletos?
Enquanto escrevo este post, estou na linha com a NET. O atendimento começa assim: “Olá, você está na NET. Eu já verifiquei no sistema o número que você está ligando. Espere um pouco que vou acessar o seu cadastro”. Tlec, tlec, tlec (som de alguém teclando no computador). “Pronto. Já identifiquei o seu cadastro. Por favor, anote o número do protocolo, caso você queira falar sobre essa chamada no futuro”. A voz dita um protocolo com 15 números. Falarei sobre sua utilidade à frente.
Depois de teclar um monte de números nos menus, teclo 2 para “mudança de endereço para outra cidade”e chego a falar com uma atendente, de nome Jadicleide. Viva!
A primeira coisa que Jadicleide me pergunta é: “em que posso ajudar?” Ora, se eu cheguei até ela para mudança de endereço para outra cidade, em quê mais ela poderia me ajudar? Paciência, Osires, paciência.
Em seguida, Jadicleide me pergunta o nome e o CPF do titular. Embora a voz do começo tenha dito que já tinha identificado o meu cadastro, tenho de dizer esses dados. Jadicleide pergunta o meu nome. Esta atendente parece ter dificuldades em entendê-lo. Após tê-lo repetido umas quatro vezes, ela finalmente entende e diz: “Ok, Sr Alzides”. Deixo como está para não prolongar ainda mais o atendimento.
Outro protocolo me é passado, em substituição àquele do início.
Jadicleide me informa que esse procedimento deverá durar em torno de uma hora. Uma hora? Tenho de ficar no telefone por uma hora inteira para fazer uma simplória mudança de endereço? Resignado, aceito o desafio. Ela me diz: “Irei estar efetuando a mudança. A ligação ficará muda, mas estarei aqui. Se precisar é só chamar”. Nem tenho tempo de dizer ok. A ligação cai.
Ligo de novo. Passo pelos mesmos procedimentos até chegar a mais uma atendente, a quem digo: “Olha, eu estava sendo atendido e a ligação caiu. Entretanto, eu tenho protocolo para retomarmos de onde parei”. Essa nova atendente me pergunta: “qual o nome e o CPF do titular da conta?” Pô! Para quê se anota protocolo, afinal, se tenho de contar tudo de novo? Que perda de tempo e paciência!
Nem preciso dizer que essa nova ligação cai de novo. E de novo!
Estou na quarta ligação. Desta vez com Pamela, que parece ser a mais esperta delas. Acho que agora vai. Tomara. Até já passei os meus dados para débito em conta…
dedos cruzados.
Cada vez em que a ligação fica muda, eu chamo a Pamela para checar se ela está lá. Até agora está.
Uhuuu!!! Terminou! Tenho um novo número de telefone, a visita para a instalação foi agendada e tudo só demorou 52 minutos!
A coisa é séria! Se para mudar de endereço é dificil, tentem cancelar um desses serviços! É muito mais!
Não podemos viver sem internet, telefone ou TV por assinatura, mas somos reféns desses oligopólios que nos atendem tão mal.
Que saudades da Coréia do Sul… Nunca morei nem fui lá, mas ouvi dizer que é massa.