A Muriçoca, çoca, çoca…

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Existe barulho pior que o de uma muriçoca no ouvido da gente, na hora de dormir?

Basta uma para causar um problema grande. Uma apenas!

Parece que a “desinfeliz” vem direto pro seu ouvido. Dá cada rasante…

Ela é invisível e ninja. Escapa de nossas mãos!

Nós só conseguimos matá-la quando já chupou muito sangue e está pesada e mais lenta. Aí, mela tudo. Mela a mão, a parede e o lençol. Como ficamos desconfiados que o sangue não é só nosso, temos de levantar e ir lavar as mãos.

Quando abrimos a porta do banheiro, entra outra muriçoca no quarto. A substituta da primeira. Esta vem ainda mais furiosa e barulhenta. Motor 2.0. Fresquinha e leve. Pronta para uns rasantes nas nossas orelhas. Não muito perto, a princípio. Depois, ficam mais afoitas e chegam a pousar. Só pra nos ver dando tapas em nós mesmos.

Ardilosas, vivem no banheiro, embaixo da pia, no escurinho.

Reproduzem-se por ali e mantêm creches muriçocais por perto.

Enviam uma kamikaze vampira de cada vez para atazanar o ser vivente que tenta dormir. Se forem muitas, há o risco de morrerem rapidamente, pois ainda não desenvolveram a capacidade de voar em formação. Muriçocas transgênicas talvez consigam isso, um dia. Aí, ninguém mais dormirá!

Enquanto isso, uma ninja solitária pode incomodar muito mais.

Acho que não é só o sangue que interessa para elas. A emoção de se esquivar de mãos, chinelos e jornais dobrados é seu grande barato. Muriçocas também curtem essa adrenalina de ver o ser vivente bravo. É um plus a mais para elas.

Tempos atrás, passei um fim de semana na casa de praia de um amigo. Na hora de dormir, a surpresa: o colchão era inflável. Daqueles azuis, cheios de gomos. Não havia bomba. Para encher, o jeito era soprar mesmo.

Depois de uns dez minutos e tonto de tanto soprar, consegui deixar o colchão mais ou menos na condição de deitar.

Forrado com um lençol limpinho, ficou até jeitoso. Deitei nele, cansado depois de um dia de sol na praia. Lá pelas tantas, uma muriçoca começou a zunir no meu ouvido. Na verdade, acho que eram duas. Uma sibilava e a outra picava o meu pé, que coçava à beça.

Depois de um tempo, adormeci e não mais escutei o zunir. Aliás, não escutei mais nada. De repente, senti uma pressão nos meus dois ouvidos, que não entendi. O colchão estava murchando! Minha cabeça afundou e tinha colchão tapando os dois ouvidos.

O pé ainda coçava.

Rolei para o chão e voltei a soprar para o colchão voltar a sua forma utilizável.

Uma muriçoca zunia desesperadamente. Com uma das mãos eu mão abanava a orelha e com a outra segurava o pito do colchão. Imaginem a coordenação motora necessária!

A outra muriçoca ninja picava o meu pé. Sempre o mesmo pé. Elas devem ter um GPS muito bom. Moscas também têm, pois sempre pousam no mesmo lugar, repetidamente.

Passei a noite entre o espantar e tentar matar essas muriçocas e o soprar para encher o tal colchão. Péssimo.

Acho que depois que as muriçocas receberam o nome de Aedes egipti, elas ficaram mais invocadas e convencidas.

O nome é mesmo pomposo. Se fosse eu, zuniria ainda mais alto.

2 comentários sobre “A Muriçoca, çoca, çoca…

  1. Tinha que ser do egito essas ninjas terroristas! Rapaz que noite terrível essa tua aí! Risos contidos…
    Eu e minha família sofremos muito quando viemos aqui para Recife: Muitas muriçocas! Compramos repelente para usarmos ao sair de casa e para nossa casa: tela anti-inseto! um investimento de mil reais que livrou-nos de qualquer zumbido! E vedação na porta de entrada e ralos, é claro! elas também vem pela encanação de esgoto, junto com baratas e escorpiões! Agora estamos dormindo sossegados, livres dessas ninjas e, quando aparece uma, não escapa da nossa raquete elétrica! E o estalo do choque ainda é divertido! Revanche nossa!

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