CENA 1:
John trabalha num escritório no centro de Los Angeles. Estaciona seu carro e desce com um copo de café na mão, que acabara de comprar num drive-in.
Mal chega a sua sala, ouve gritos e tiros vindos da recepção. Abaixa-se e liga para o 911. A telefonista da polícia pergunta qual a ocorrência e em seguida envia umas viaturas.
A polícia chega. O prédio é cercado. As ruas próximas são fechadas. Ao notar que há reféns, a SWAT é chamada. A equipe de elite desce de rapel de um helicóptero e vai escada abaixo enfrentar os bandidos. O escritório de John fica no trigésimo andar. O prédio tem sessenta.
Mais tiros. Bombas de efeito moral são atiradas. Um início de incêndio é prontamente combatido por nosso protagonista.
No final, dois terroristas são mortos, um ferido e um escapa de paraquedas, gritando: “Vou me vingar. Voltarei para terminar o serviço…ha ha ha ha ha”.
John, volta para casa todo lanhado, camisa rasgada e sujo de fuligem. Antes de enfiar a chave na fechadura, Rebecca, sua esposa abre a porta e o abraça fortemente.
Ela pergunta: “O que aconteceu, baby?”
Ele: “Tive um dia ruim.”
Rebecca abre a geladeira, pega uma cerveja (todas as geladeiras têm cerveja nos Estados Unidos). Ao entregar a cerveja para o John, diz: Relaxe um pouco. Vou preparar o seu banho. Jantar em 20 minutos.
CENA 2:
O pelotão do Sargento O’Hara, segue em fila indiana pela selva. Armas em punho. Tensão no ar. Música dramática.
O’Hara para. Levanta o braço direito e faz um gesto fechando a mão. O pelotão para. Alguns soldados se deitam na relva, apontando suas armas para frente, sem alvo definido. O sargento faz um sinal. Dois dedos apontando dos olhos para frente e fechando as mãos. Todo o pelotão coloca e ativa seus óculos de visão noturna.
Começa intenso tiroteio. Balas traçantes cruzam de todos os lados. Uma delas atinge o peito do soldado Ryan, que havia ficado de pé. O pelotão reage furiosamente e consegue matar os inimigos.
Ao fim do tiroteio, em meio a muita fumaça alguém grita: “Medic, Medic“. Um dos soldados, com uma cruz vermelha no braço, abaixa abre um saquinho com os dentes, derrama um pó na ferida, segura o pulso do soldado Ryan e coloca o ouvido próximo a sua boca, pois ele parece querer dizer algo.
O sargento O’Hara chega. O “Medic” olha pra ele e faz um leve sinal de não, balançando a cabeça suavemente.
……….Acho que todos vocês já viram cenas similares.
Viram como os americanos são sintéticos e não-curiosos? A esposa de John, contenta-se com a singela explicação: “Tive um dia ruim”….sem mais questionamentos. Se fosse aqui, a mulher iria dar um esporro no marido porque chegou em casa tarde e com a roupa rasgada e depois iria querer saber todos os detalhes. Mas todos mesmo!
O simples balançar de cabeça já explica que o soldado Ryan morreu.
Morreu? Meu Deus! Tenta alguma coisa aí, “Medic”. Faz respiração boca a boca, faz alguma coisa. Chama alguém…Ele era tão jovem…diria o Sargento Silva, em prantos, no Brasil.
Adoro o cinema americano. Sem maiores explicações.
Otimo texto querido!!
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HAHAHAHAHAHAHAHAHAHHA!!! Por isso que nós, brasileiras, somos muito mais interessantes que essas americanas… Como se contentar com um simples “tive um dia ruim”??? Nada disso… pode explicando tudo, nos mínimos detalhes… E nada de jantar pronto em 20min!!!!
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Quando o terrorista caiu de pára-quedas faltou a frase “Allah Hu Akbar” pra fechar a cena.
http://desciclopedia.org/wiki/Allah_Hu_Akbar
Parece até que mulher americana não tem TPM! Mundo perfeito e trivial!
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